Editorial

Advogado, docente da FCSH/UNL, deputado municipal de Lisboa

Temos uma boa notícia, o Portugal Socialista, que começou a ser publicado legalmente a 1 de maio de 1967, em Roma, entrando clandestinamente em Portugal, vai voltar a ser editado com regularidade.

A publicação durante o salazarismo só foi possível graças à inexcedível generosidade e militância do nosso saudoso camarada Manuel Tito de Morais e ao apoio material do Partido Socialista Italiano. Todos os números do Portugal Socialista publicados durante a clandestinidade foram reeditados depois do 25 de abril, reunidos num único volume, e são um documento insubstituível do que foi a luta pelo socialismo democrático nesse período.

Depois do 25 de abril, começou por ser editado como jornal vendido nas bancas e com periodicidade ditada pela sua função de ajudar a divulgar e a organizar a luta que o Partido Socialista travava no governo e nas ruas. Foi mais tarde substituído, como jornal, pelo Ação Socialista e remetido ao papel de revista de reflexão política.

O Portugal Socialista foi editado em séries sucessivas, pelo que com esta nova série recomeçamos no número um, não esquecendo, no entanto, que este é o 52.º ano decorrido desde o início da sua publicação. Iniciamos uma nova série num contexto muito diferente do ponto de vista cultural e político, marcado pelo impacto das novas tecnologias na comunicação política. Decidimos, por isso, à semelhança de outras publicações socialistas europeias, fazê-lo de forma diferente das anteriores séries. Regularmente, irão ser editados artigos disponibilizados imediatamente online, que virão a integrar números tematicamente organizados, os quais serão editados posteriormente em papel.

Este primeiro número é constituído por textos que resultaram da segunda Conferência Socialista, realizada em outubro de 2018, intitulada “As Liberdades Hoje: Velhos e Novos Riscos; Desafios e Progressos”. Nesta Conferência, os debates centraram-se em torno de dois eixos temáticos fundamentais: o primeiro, intitulado “As Liberdades em risco”, o segundo, “Desafios e progressos”. Discutiram-se os velhos riscos, como os populismos nacionalistas, mas também os novos riscos da sociedade digital, bem como desafios colocados pelo alargamento dos direitos dos migrantes e os progressos alcançados no domínio dos direitos individuais. A todos os que animaram com as suas comunicações a Conferência Socialista 2018 e que as disponibilizaram para publicação, a nossa gratidão.

O socialismo democrático é alimentado pelo permanente debate e confronto de ideias, como se pode verificar com a pluralidade de opiniões que se manifestam neste número. Inserimo-nos na tradição socialista de Antero de Quental que, dirigindo-se ao Primeiro-Ministro que proibira as Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, em 1871, lançou o repto: “Mas, Exmo. Senhor, será possível viver sem ideias?”

N.º 1 (nova série), abril de 2019

Diretor: José Leitão
Conselho editorial: Alberto Arons de Carvalho, António Reis, Constança Urbano de Sousa, Margarida Marques, Mariana Vieira da Silva, Paulo Pedroso, Rui Pena Pires, Susana Ramos e Tiago Fernandes

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