Editorial

Diretor do Portugal Socialista

A publicação deste número do Portugal Socialista é um contributo para o debate necessário sobre a Europa que somos e aquela que queremos ser, para a dinamização do debate público sobre o projeto europeu. A importância das questões nele abordadas não se esgota nas eleições para o Parlamento Europeu, dado que remetem para alguns dos debates decisivos sobre o futuro da União Europeia. Também não esgotamos, neste número, todas as questões relevantes no debate sobre a Europa, pois teremos de voltar a pensá-las a partir da realidade política que emergir após as eleições para o Parlamento Europeu.

Vivemos um momento decisivo da construção europeia, marcado pela degradação ideológica e política de forças que noutros tempos deram contributos positivos para a construção europeia. Vivemos numa Europa ameaçada por movimentos populistas, sobretudo da extrema-direita xenófoba, que promovem notícias falsas, defendem soluções simplistas para problemas complexos, fomentando a insegurança e o medo, e, ainda, pelo incerto destino do Brexit. Neste contexto, damos prioridade, no debate e nas propostas, a questões que, procurado responder a dificuldades concretas experimentadas pelos cidadãos portugueses, contribuam para melhorar a vida concreta dos cidadãos portugueses e europeus, em geral, das famílias e das empresas.

Um novo contrato social para a Europa, os desafios das eleições europeias, a necessidade de prosseguir com determinação a transição energética, as especificidade das regiões ultraperiféricas na União Europeia, como os Açores e a Madeira, são algumas das questões abordadas neste número, que esperamos possam partilhar e debater nas redes sociais.

Para todos os que nasceram depois da segunda guerra mundial, a paz entre os Estados que integram a União Europeia parece algo natural que terá sempre existido, mas não devemos esquecer os milhões de seres humanos que foram violentamente mortos na Europa durante as duas guerras mundiais no século XX, a opressão totalitária, a exploração desenfreada, o racismo, a xenofobia, a pobreza e a exclusão social. A recusa dos populismos eurocéticos, num mundo que se tornou mais perigoso com a eleição de líderes populistas e autoritários, obriga não só a desmontar a forma como aqueles tratam questões como a imigração e os refugiados, mas a promover uma Europa que seja uma referência global em favor da paz, dos direitos humanos, da democracia, do respeito pelo direito internacional, uma Europa que valorize o multilateralismo.

A prática dos socialistas em Portugal – mais emprego, mais igualdade, contas certas – é uma referência para o que é necessário fazer na Europa. Combater as desigualdades e defender uma prosperidade partilhada é condição indispensável para uma globalização mais justa, e deve estar presente nas relações da Europa com outras regiões do mundo e, desde logo, na cooperação com África.

Podemos ter uma Europa mais forte e mais justa. Depende apenas de cada um de nós. Nunca foi tão evidente, defender a Europa é defender Portugal.

N.º 2 (nova série), maio de 2019

Diretor: José Leitão
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